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12 de julho de 2011

"The Bicycle City" - Conheça essa outra história


Essa é mais uma incrível história na qual a bicicleta se apresenta não como coadjuvante, mas como  protagonista na transformação de uma comunidade devastada pela guerra em uma economia próspera.
  
 A cidade de bicicleta é a história da luta, determinação, idealismo, e esperança que trouxe a transformação de toda uma sociedade.

Devastado por décadas de ditadura militar, guerra civil, e uma catástrofe ambiental, a Nicarágua é o segundo país mais pobre da América Latina, tendo um dos mais baixos PIBs da região e o segundo maior Índice de Pobreza Humana, atrás apenas do Haiti.

Nos últimos 20 anos, mais de 20.000 bicicletas foram trazidas para Rivas, uma cidade na costa do Pacífico na Nicarágua, pela ONG pedal for progress que recolhe bicicletas doadas nos Estados Unidos e distribui em comunidades carentes em todo o mundo. O primeiro descarregamento aconteceu há 20 anos, e hoje, a bicicleta tornou-se parte integrante da vida diária.

Contada a partir dos pontos de vista de Julia, o vendedor de rua; Xiomara, a jovem mãe, Joaquin, o empresário, e David, o filantropo improvável, A cidade de bicicleta é a história de como um experimento idealista ajudou a cidade devastada pela guerra a encontrar seu próprio caminho para a recuperação e normalidade, através da introdução de transporte barato e confiável na forma da bicicleta.

A cidade de bicicleta é um longa-metragem documentário em fase de pós-produção.

Para saber mais sobre como contribuir:


21 de junho de 2011

"With My Own Two Wheels" - Conheça essa história





O filme With My Own Two Wheels' ilustra perfeitamente como as bicicletas podem servir de elo impulsionador entre desenvolvimento e emponderamento (empowerment) de comunidades. 

A transformação ocorre na vida de 5 pessoas. Essas mini-histórias estão intimamente relacionadas com alguns projetos pilotos do Banco Mundial (realizados nos meados dos anos 90) fornecendo bicicletas para os assentamentos mais empobrecidos para ampliar o perímetro de acessibilidade  demosntrando os benefícios em termos de economia de tempo e oportunidades de geração de reanda.

Como mostrado no filme, as bicicletas são inovadores modais não-motorizados de transporte, muitas vezes esquecidos, que oferecem flexibilidade e asseguram uma mobilidade mais eficaz.

O filme deixa uma mensagem importante: devemos abraçar o potencial mútiplo e sempre inovador da bicicleta quando combina acessibilidade com benefícios da mobilidade segura dentro de uma lógica de transporte ambientalmente sustentável.

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9 de junho de 2011

O poder de transformar o cotidiano

Cidades que apostam nas bicicletas para diminuir o tráfego dos centros urbanos



Amsterdã, Bogotá, Buenos Aires, Copenhagen, Nova York, Paris, Portlan, são alguns dos inúmeros exemplos. Todas com uma meta em comum: reduzir o tráfego de automóveis.

Para isso, resolveram investir em políticas voltadas para as bicicletas como meio de transporte e não apenas como forma de lazer.

Amsterdã – A “cultura da bicicleta faz parte do nosso cotidiano”, afirma a supervisora de estratégias sustentáveis de Amsterdã, Eveline Jonkhoff. Essa frase justifica o grande desenvolvimento logístico feito em torno da bicicleta na cidade de Amsterdã, capital da Holanda.

Atualmente existem 550 mil bicicletas na cidade e 90% das ruas têm uma separação nas vias dedicada a esse veículo, o que aqui conhecemos como ciclofaixa. A política municipal abrange a bicicleta desde a década de 1970 e por isso hoje “a gente tem congestionamento de bicicletas e não de carros”, conta Eveline.

Em uma cidade com tantas bicicletas, um problema enfrentado foi onde estacionar esses meios de transporte. A supervisora explica que a saída foi a construção de estacionamentos subterrâneos e alguns “pequenos prédios, de até três andares.”

O sistema cicloviário possui conexão com os meios de transporte públicos e os semáforos apresentam uma contagem regressiva para que os ciclistas saibam exatamente quanto tempo ainda têm para cruzar uma rua.

Eveline explica que a maior preocupação na cidade é com a segurança dos ciclistas e por isso “é preciso separar pedestres, carros e bicicletas”, rebate quando questionada sobre a possibilidade de se colocar as bicicletas em vias compartilhadas com carros ou ônibus. Além disso, campanhas educacionais são feitas tendo como foco os motoristas e os ciclistas.

A campanha “ligue as luzes, torne-se visível” foi feita para conscientizar as pessoas que andam de bicicleta que por meio das luzes sinalizadoras elas serão vistas por automóveis. A supervisora conta que “estão sendo desenvolvidas rotas escolares” na cidade e para prevenir acidentes campanhas educacionais sobre o tráfego da cidade são feitas nas escolas.

Buenos Aires começa a usar a bicicleta – A cidade de Buenos Aires, capital da Argentina, tem 2,9 milhões de habitantes, 1,2 milhão de carros e iniciou há dois anos o incentivo ao uso da bicicleta como meio de transporte. O importante é “frear a política de automóveis, tanto públicos como privados”, afirma Daniel Chain, ministro do Desenvolvimento Urbano da cidade.

Atualmente existem 12 estações de bicicletas a rede de ciclovias de Buenos Aires tem 65 quilômetros, mas o ministro contou que até o fim do ano a expectativa é de que esse número aumente para 100 km. O projeto apresenta as ciclovias em ruas menos movimentadas e não em grandes avenidas, por questão de segurança.

Além disso, as ciclovias são separadas fisicamente dos carros. “Os automóveis a princípio repudiam a ideia de dividir o espaço com as bicicletas. Depois a população vai tendo consciência da importância de uma convivência pacífica e não da imposição do automóvel”, justifica Chain.

O ministro ressaltou que um dos motivos mais importantes de 76% da população aprovar a iniciativa de ter a bicicleta como forma de transporte é o apoio do setor privado. “As empresas criaram vagas nos estacionamentos para os funcionários deixarem as bicicletas” e isso incentiva a população a deixar o carro em casa.

Em Paris ciclistas dividem espaço com ônibus – Durante dez anos de política para incentivar a melhoria do tráfego na cidade de Paris, capital França, mais de 700 quilômetros de pistas para bicicletas foram criados. A prefeita Anne Hidalgo contou que no início, as ciclovias eram segregadas dos veículos porque “não teria como a bicicleta tomar o poder” que foi dado aos carros durante décadas.

Vinte mil bicicletas foram disponibilizadas para aluguel logo no início do projeto e a aceitação da população foi boa, segundo Anne. “Tinha gente que mal se equilibrava e usava a bicicleta”. Depois que as pessoas entenderam a importância desse meio de transporte, o sistema cicloviário pode ser ampliado.

A prefeita explicou que algumas faixas de ônibus da cidade foram ampliadas para que o compartilhamento com as bicicletas fosse possível. “Agora as faixas têm 4,20 metros de largura então o ciclista pode usá-la sem que haja problema de segurança.”

Fonte: Portal iG - Fernanda Simas em 03.06.11

27 de março de 2010

Coppe discute inclusão da Bike no contexto urbano

Sexta (26 de março) tive a oportunidade de estar presente no seminário internacional realizado na COPPE-UFRJ em parceria com a CAN (Cycling Academic Network) que reuniu pesquisadores da África do Sul, Tanzânia, Índia, Holanda e Brasil.


O objetivo do encontro foi debater as soluções para a inclusão da bicicleta como meio de transporte desenvolvidas na O CAN foi fundado em 2007, na Holanda, país referência no uso da bicicleta como meio de transporte. Em 2008, representantes da instituição reuniram pesquisadores dos quatro países em desenvolvimento para acompanhar os estudos realizados em cada região.

Uma das pesquisadoras - Flavia de Souza (RJ) presentou os resultados preliminares de sua pesquisa sobre a necessidade de integração da bicicleta com o transporte público. Os dois locais analisados por Flávia e sua equipe são Santa Cruz, na Zona Oeste, e Colégio, no subúrbio do Rio.

Santa Cruz tem maior número de ciclistas no Rio
De acordo com o estudo, Santa Cruz tem o maior índice de bicicletas da cidade: 12% da população usam o veículo, enquanto que a média no Rio é de 2%, ou seja, são seis vezes mais ciclistas naquela região.

O documento aponta dois estacionamentos privados na região, que, em horário de pico, não dão conta da demanda e recebem cerca de 600 bicicletas em um dia. De acordo com Flávia, a maioria dos usuários de trem da Supervia reclama da falta de segurança, do alto preço do bicicletário pago e da distância do estacionamento para a estação.

Em Colégio, foi constatado que os ciclistas usuários do metrô param os veículos no entorno da estação, já que não há estacionamento.


A pesquisadora sugere, além de melhoria da malha cicloviária da cidade, que é precária, o financiamento da bicicleta para a população de baixa renda. “Para quem pega dois ônibus por dia, utilizar a bicicleta em um dos trechos gera uma economia de quase R$ 5 por dia, o que chega a R$ 100 no fim do mês”, exemplificou ela.

Um dos objetivos da pesquisadora, que pretende terminar o trabalho dentro de um ano e meio, é levar os resultados do documento para autoridades públicas.
Ao examinar o caso do Rio de Janeiro, Flávia concluiu que, além de aumentar o número de vias para ciclistas, é preciso investir em estacionamentos nas estações de trem, metrô e ônibus. Atualmente, segundo a pesquisadora, somente algumas estações do metrô oferecem esses espaços.


Conscientização

Flávia acredita que o Rio de Janeiro tem potencial para aumentar o número de ciclistas. “O carioca não tem tanto preconceito, não vê a bicicleta como transporte de pobre, como acontece em outras regiões. Acho que podem ser feitas promoções com artistas, por exemplo, para quebrar aqueles que ainda têm o estigma. A bicicleta tem que ser vista como um transporte ‘cool’ e acho que isso já está na veia do carioca, basta incentivo”, diz.

Enquanto a Secretaria de Transporte afirma que o Rio possui o título de ser o estado com a segunda maior rede de ciclovias da América Latina, Flávia ressalta que o que existe são apenas ciclovias.

“O que temos não é malha cicloviária, são ciclovias. Malha é um sistema integrado. Ter a segunda ciclovia da América Latina já é alguma coisa sim, mas você perceba que essas vias estão próximas à praia ou na Lagoa, ou seja, está associado ao lazer, não é para bicicleta como meio de transporte do dia-a-dia”.

Para a ela, o sistema de aluguel de bicicletas, que foi inaugurado no Rio em janeiro de 2009, é uma medida importante, mas ainda é falho. “É um sistema caro e ainda concentrado na Zona Sul”, criticou ela, que já usou o serviço e percebeu que o objetivo da maioria de quem aluga é utilizar o veículo para o lazer. “Vi muitos estrangeiros alugando”, disse.


Juliana DeCastro