19 de agosto de 2011

Vida de Ciclista: o prazer de sentir o mundo sobre duas rodas



Com ou sem destino. Sozinho ou acompanhado. Não importa. Ter a certeza de que ao fechar os olhos se reconhece a liberdade no rosto, entre os cabelos. Sorrir. Chorar. Ver o mundo girar.

No trânsito, entre montanhas, em todos os lugares e ao mesmo tempo. Isso também não importa. Eu aqui, você ali, ele acolá. Juntos! Superando obstáculos, bueiros, buracos e o desrespeito, mas conquistando a admiração daqueles que nos vêem passar.

Admiração, o início da paixão.  Então, amanhã dividiremos o mesmo vento? O ciclista te viu sorrir. Se não fosse o capacete, talvez questionasse o brilho dos seus olhos. Ela realmente é linda. Simples e encantadora. E tem um mundo a te apresentar.

Achar que conhece o mundo é um equívoco, uma infâmia! Não és mais criança que sabe tudo ou adolescente que “tudo conhece”. Enxergar o mundo por frestas pode ser bonito. Mas se deslocar em uma caixa com janelas, portas e paredes não é tão agradável quanto parece.

Muito mais do que ver, o prazer está em sentir. Ver e sentir. Uma mistura de paixão, estilo ou hobby. Mais uma vez, tudo ao mesmo tempo. Aliás, por aqui tudo é assim: intenso e indefinível. Um a zero para a emoção!

Ela sempre ganha. Inclusive dos números. Na infância, era um brinquedo, e hoje, a analista de sistemas se emociona no vai-e-vem pela cidade. Os números são racionais? Conto do vigário. E a criança, realmente sabe tudo.

Não há idade, cedo ou tarde, oito ou oitenta. Mas aos 60 decretou: “É o meu recomeço”.  Sozinho já caiu, levantou, caiu e desistiu. Mas decidiu que a força de vontade fala mais alto para aqueles que não sentem o tempo passar.

São tantos personagens...  Raqueis, Nicolas, Julianas, Joãos, Millas, Thaises, Robertas. O alfabeto é pequeno e os pedais altos para alcançar o caminho que está aos seus pés. As letras se repetem e os pés não tocam o chão. E não poderia ser diferente.

Vida de ciclista é assim: vai e volta, leva e traz, quando vai, leva alguma coisa, quando volta, vem com novidade. Rápido ou devagar. Amor, prazer ou liberdade. E uma surpresa em cada curva.


Parabéns a todos que têm a bicicleta como protagonistas em suas vidas. Seja por hobby, prazer ou transporte.  Em homenagem ao dia, que tal reunir os amigos, pegar a bicicleta e dar uma volta pela cidade? Melhor comemoração, não há.

Texto: Roberta Araújo - Jornalista na VeliMobi 
Ilustração: Milla Scramignon - Design e Ilustração 



10 de agosto de 2011

3 de agosto de 2011

O que é prioritário, afinal, Brasil ?!


Foi divulgado na última quarta-feira o novo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a mobilidade urbana no Brasil que constatou  que  a cada R$ 1 investido em transporte público,  o governo concede R$ 12 em incentivo para carros e motos.  A pesquisa atribui a essa relação de valores, os constantes records batidos sobre a vendas de veículos particulares em todo o país, e por consequência obvia, o aumento das horas perdidas em congestionamentos em nossos centros urbanos.

"Muitas vezes, essas políticas não são percebidas claramente pela população por envolver omissão do poder público", diz o texto.

Entre os subsídios considerados pelo Ipea está a isenção de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) dada aos carros de baixa cilindrada, os chamados carros populares.

"Enquanto os veículos acima de 2.000 cilindradas pagam 25% de IPI e aqueles entre 1.000cc e 2.000cc pagam 13%, os veículos de até 1.000cc pagam 7% e os comerciais leves, 8%". Por 1.000 cc, entende-se veículos 1.0.

Considerando essas variações de percentual por categoria, o instituto estima que o governo deixe de arrecadar entre R$ 1,5 bilhão e R$ 7,1 bilhões somente com a isenção do IPI por ano. Já os ônibus e trens recebem de R$ 980 milhões a até 1,2 bilhão em isenção de impostos.

O instituto ainda calcula que o governo deixa de arrecadar cerca de R$ 7 bilhões ao ano dando estacionamento gratuito aos carros nas vias públicas. Vale ressaltar que o Ipea considera esta estimativa conservadora, uma vez que o valor médio de estacionamento utilizado para o cálculo foi de R$ 3 por quatro horas.

Somados a isenção do IPI com a dos estacionamentos nas vias públicas, os veículos individuais recebem aproximadamente 90% de todos os subsídios dados pelo governo para mobilidade urbana.

Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, defende o equilíbrio da distribuição financeira de recursos.

- Nós defendemos que o governo destine mais investimentos na infraestrutura da mobilidade urbana, pois o aumento do uso de veículos particulares aumenta a poluição, os congestionamentos e o número de acidentes nas regiões metropolitanas.

Inflação

Além da questão do subsídio, o estudo apontou outras razões para a piora do transporte público do país. De 1995 até hoje, as tarifas de ônibus subiram cerca de 60% mais que a inflação. Para chegar à conclusão, o instituto considerou o INPC (Índice Nacional de Preços do Consumidor), que é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) todos os meses. 

O Ipea colheu dados de dez regiões metropolitanas (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Brasília) e da cidade de Goiânia.


Outro dado trazido pelo estudo é que o brasileiro perdeu mais tempo em média no trânsito em seu deslocamento da casa para o trabalho. Baseado em cálculos das Pnads (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 1992 e 2008, o Ipea concluiu que o tempo médio subiu de 37,9 minutos para 40,3 minutos. Houve também um aumento na quantidade de pessoas que ficam mais de uma hora no trajeto de casa para o trabalho, de 15,7% para 19%.

Esses dados apenas demonstram as prioridades políticas de investimentos para a mobilidade urbana estão fora de ORDEM e precisam ser revistas imediatamente se quisermos conter a degradação do trânsito nos centros urbanos.

Fonte: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada 

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